Glaciar dos Polacos

A Escalada

Acordei com o bip inaudível do alarme do meu relógio de pulso. Diferente dos dias de folga, que eu custava para levantar às nove da manhã, eram 4:30 da madrugada e fazia 21 graus negativos no termômetro. Chamei Arthur que começou os preparativos. Apesar de ter adiantado alguma coisa na noite anterior, vários detalhes ainda eram necessários. Colei os curativos de Arthur nas bolhas dos meus pés, passamos protetor solar fator 60, derretemos água para beber antes de partir e para levar nas garrafas térmicas. Engolimos alguns biscoitos, fixamos as lanternas nos capacetes, regulamos os bastões, ajustamos as cadeirinhas, vestimos balaclava, gorro, luvas, calçamos as botas e alguns minutos depois das seis estávamos dando os primeiros passos em direção à grande geleira com o tilintar dos metais pendurados.

Na atmosfera violeta de fim de noite, uma fila indiana de dez ou mais montanhistas caminhava lentamente à distância de um braço um do outro na encosta da montanha, rumo à face noroeste. Outro grupo deixava o acampamento e seguia junto conosco por algumas dezenas de metros até desviar em direção a travessia também. Procurei alguma luz de lanterna à nossa frente, mas a verdade era que seríamos os únicos naquela parede. Esta nossa ascensão teria ao todo 1200 metros de desnível e achávamos que oito a dez horas seria um tempo aceitável para completar a empreitada.

Decidimos que após subirmos 600 metros, verificaríamos nosso tempo. Este deveria ser a metade também.

Na tarde anterior, também contatamos o acampamento base para informar nossos planos de ataque para o dia seguinte. Nos foi pedido novo contato para avisarmos quando chegássemos ao cume.

A caminhada foi ficando levemente inclinada e, com a luz dos primeiros feixes de sol, paramos na rampa para colocar os crampons. O sol já iluminava o dia e agora procurávamos os trechos de gelo, onde fazíamos menos esforço do que nos dois palmos de neve fofa. Logo no início, estranhei o fato de não ser mais fácil pisar nas pegadas de Arthur. Eu afundava do mesmo jeito e às vezes me atolava mais do que quando usava um caminho diferente. Decidimos não subir encordados, mas levávamos a corda.

No tempo em que passamos observando a rota do acampamento, identificamos alguns pontos estratégicos. Primeiro dividimos o glaciar em dois. Até a sua metade seria uma bela rampa de 45 graus. Ali havia uma ilha de rocha pequena. Daquele ponto em diante dividimos a segunda metade em três outras partes, mais ou menos com o mesmo tamanho. A primeira era da ilha de rocha até o Cuello de La Botella, uma espécie de gargalo, como o nome mesmo diz, formado por uma rampa íngreme espremida entre uma ponta da parede rochosa limítrofe da direita e um bloco de gelo dos seracs  à esquerda. A segunda parte seria uma grande rampa que ia dos 45 aos 60 graus até logo abaixo da chaminé rochosa. Este seria o trecho mais íngreme. E a última parte seria o caminho até o cume. Cinquenta metros bem inclinados e depois uma caminhada pela crista de mais ou menos duas horas até o ponto culminante.

Nos aproximamos da ilha de pedra ainda sem saber  qual o lado usaríamos para contorná-la. Nesse ponto a rampa ficou mais íngreme e tivemos os primeiros problemas com a neve fofa. Arthur tomou o lado esquerdo, o que eu acreditava ser melhor também, mas um pouco mais afastado da rocha.

– Vai pela direita! Ele então gritou que eu tentasse o lado oposto, pois havia escalado um lance negativo para alcançar um platô formado pela neve da rampa, acumulada no topo da porção de pedra.  Dali, Arthur me lançou uma ponta da corda para dar segurança, uma vez que eu começava a afundar e brigar com a neve fofa naquele lance mais inclinado. Alternando piolet e grandes agarras, subi. Mas não sem bufar um monte e sentir o coração disparar. Ali era o ponto onde teríamos que decidir se continuaríamos. Olhei o altímetro do GPS e marcava em torno dos 600 metros de diferença do acampamento 2. Estávamos na metade! E tínhamos feito nas quatro horas que queríamos! Se continuasse assim, mesmo com aquela quantidade de neve, conseguiríamos chegar a tempo. Nos sentíamos bem e decidimos, sem muita dificuldade, continuar.

A inclinação voltou aos 45 graus e a quantidade de neve aumentou um pouco. O ritmo caiu, pois em alguns momentos, nos víamos desajeitados pisando naquele chão instável que cedia com o nosso peso. Agora a neve chegava aos joelhos.

Em determinado momento, não acreditei no que meus olhos estavam vendo. Uma avalanche descia como uma cachoeira pelo Cuello de La Botella. A neve vertia como água numa cascata, por sobre os seracs, a rampa e a massa de rochas. Estático e com todos os sentidos ligados, esperei uma reação de Arthur que estava uns 30 metros à frente para confirmar o que eu vi. Arthur continuava suas passadas. Olhei com mais cuidado para ter certeza, pois era bem onde teríamos que passar. Continuei com os olhos vidrados para me certificar de que uma massa de neve maior não nos alcançaria. E depois que cessou tudo, perguntei:

-Arthur, você viu aquilo? A avalanche no gargalo?

Arthur respondeu com uma negativa e deve ter achado que eu estava delirando ou impressionado. Mas o fenômeno continuou, com menor intensidade. Descargas de neve despencavam hora como água, hora como pó, dissolvendo no vento.

OK. Não chegavam até nós, cem metros abaixo. Não era tão forte, mas aquilo ligou o alerta. Um deslizamento maior parecia agora não ser tão impossível.

Para nos aproximarmos do gargalo foi uma luta. Arthur tentou subir reto, mas a neve estava tão fofa que teve que se desviar para o lado direito, fazendo um ziguezague e passando bem abaixo da rampa de neve, que possuía um desnível de dois metros. Parecia feito para um caminhão encostar a caçamba ali e abastecer-se de gelo em pó. Aquele funil natural era o caminho óbvio para grande parte da neve que descia. Infelizmente também era o único para nós que subíamos. Tentávamos inocentemente nos mover na areia movediça branca. Tentei seguir meio para a esquerda e atolei mais ainda com neve pela cintura. Arthur parecia que se saía um pouco melhor, talvez uns dez quilos a menos fizessem diferença na consistência da neve. Eu continuava sem saber qual o melhor, se era pisar em neve virgem ou usar as marcas dos passos de Arthur. Após um longo tempo para vencer menos de dez metros, nos reunimos na lateral esquerda da rampa, junto ao serac.

Formiguinhas no PolacosProsseguiríamos pelo gelo, uma vez que o caminho pela canaleta estava impossível. Nesse lance, Arthur ofereceu que eu seguisse na frente. Eu disse a ele que eu preferia que ele fosse. Imaginei que ele estivesse menos desgastado. E o lance requeria cuidado. Nos atamos cada um a um ponta da corda e Arthur iniciou a subida vencendo o balcão de gelo daquela rimalha. Tínhamos dois parafusos e três estacas e Arthur levou todos. Começou a subir cravando a ponta frontal dos crampons e as piquetas na íngreme e reluzente parede de gelo. Alguns metros depois fixou um parafuso para “costurar” a corda. Enquanto eu fazia a segurança de baixo, novas descargas de neve caiam sobre nós, como uma ducha. Arthur continuou a escalada e dessa vez esticou vários metros até finalmente fixar outro parafuso. Depois de algum tempo, a corda esticou e comecei a subi simultaneamente. Tive um pouco de dificuldade na saída com o gelo e a neve desmoronando sob meus pés e deixando a greta da rimalha cada vez mais a mostra. Não entendi como eu conseguia encontrar algum lugar sólido naquilo que parecia ser bem o centro da boca da greta, mas consegui sair dali. Escalei 30 metros da parede lateral do serac até encontrar com Arthur fazendo minha segurança.

Agora tínhamos a rampa íngreme até chegar à chaminé de rocha. Sugeri a Arthur que subíssemos encordados a partir dali, pois Abu mencionara um acidente fatal, com uma pessoa que não usava corda no momento de um escorregão. Arthur não achava vantagem, pois disse que se um escorregasse, cairiam os dois. Mas falei que poderíamos usar as estacas entre a gente. Subiríamos simultaneamente e, quando eu chegasse à estaca, avisaria Arthur para fixar outra antes que eu retirasse a primeira. Desta forma teríamos sempre uma proteção entre nós e com somente três estacas poderíamos avançar três vezes o comprimento da corda. Assim fizemos, mas após a terceira estaca, víamos que progredíamos muito mais lentamente. Me desencordei e continuamos outra vez sem a segurança da corda.

O glaciar, que recebeu a luz direta do sol a maior parte do dia, começava a receber sombras na altura da chaminé. O sol estava completando o seu ciclo e se posicionava atrás da montanha agora. O medo veio de estalo! Eram quatro horas da tarde e ainda faltava muito! Pelo menos um terço do trajeto. Já tínhamos estourado nosso horário planejado de chegada, que era às 14hs, o limite para o cume, que era as 15 e provavelmente faltaria uma hora antes de alcançar a crista e mais duas até o cume!

Progredir na neve fofa, cada vez mais alta, consumia muito o nosso tempo e energia. Aquelas condições estavam fazendo uma diferença absurda. Levávamos muito tempo lutando para avançar poucos metros. Agora, já havíamos chegando à região sombreada e por sorte, não recebíamos ventos que, provavelmente, sopravam vindos da direção oposta. Com a aproximação da chaminé, a inclinação aumentava e cada vez mais nos afundávamos na neve. Em outro momento, tentei usar as pegadas compactadas por Arthur, mas parecia pior para mim, pois elas cediam mais ainda e depois era mais difícil de sair do buraco em que eu afundava. Em outra situação, não consegui sair do lugar, pois a cada movimento, o chão se desmanchava, revelando uma greta abaixo de mim. Tentei cravar a piqueta acima, mais a neve se esvaía e a ferramenta não fixava. Nessa hora, lamentei não estar encordado. Quando finalmente golpeei fundo algo mais sólido, pude dar um impulso e sair da borda do buraco, torcendo para a piqueta não soltar. A inclinação estava forte, mas só percebíamos quando olhávamos para o lado e víamos o perfil da parede em contraste com o céu e o horizonte. Algo como as escaladas de 3° ou 4º grau da Urca.

Pouco depois, notei que os meus dedões de cada pé estavam dormentes. Movimentei-os dentro da bota, mas soube que pouco podia fazer. A inclinação foi aumentando, Arthur já tinha chegado à base da chaminé e preparava uma ancoragem com o parafuso e a piqueta. Enquanto isso, devo ter lutado uns dez minutos para me mover seis metros para a direita e alcançá-lo. Arthur novamente jogou a corda, mais com a finalidade de me desatolar do que dar segurança tradicional. Me ancorei nas fitas e fiz novamente o nó de correr, o UIAA, na corda e no meu mosquetão para assegurar a subida de Arthur. Este começou a se deslocar para a esquerda, se afastando de mim na horizontal para ficar na direção da chaminé. Arthur se movimentava cravando os crampons e os piolets quando a neve cedeu e ele deslizou somente um metro, parando na corda. Foi pouco, mas o suficiente para um pequeno susto. Arthur ainda teve tempo de gritar me pedindo:

– Segura! Segura! –

Acho que respondi:

– Claro!

A chaminé era uma vão na rocha da largura de uma pessoa, Arthur subiu e depois armou uma ancoragem para me assegurar. Escalei o trecho relativamente fácil, alternando o piolet na neve do fundo desta canaleta, as agarras na rocha e os pés nos degraus das paredes laterais. Depois de vinte metros encontrei Arthur. A atmosfera já tomava a mesma cor violeta do amanhecer e a borda da crista brilhava com os últimos raios de sol em contraluz. Arthur enrolava a corda enquanto eu desenroscava o parafuso somente com a luva de polartec. Havia tirado a grande e desajeitada luva de dois dedos chamada mitone para executar algumas tarefas mais delicadas, como já havia feito antes. Depois de terminado, não senti mais o dedo polegar da mão direita. Estava gelado, sem sensibilidade como se simplesmente ele não estivesse ali. Enfiei a mão embaixo do braço por algum tempo, esfreguei o dedo e coloquei-o junto com os outros dedos na mitone. Alguns minutos depois ele voltou à vida e passei a senti-lo novamente.

Tínhamos transposto o último obstáculo da rota, agora viria à parte fácil! Mas o cansaço não nos deixou este gostinho. Continuamos encordados, subindo pelos últimos lances inclinados, que pareciam levar uma eternidade. Arthur subia mais devagar agora e achei que me esperava para a corda não esticar. Me perguntei se ele estaria com frio e torci para que chegasse logo na crista e fosse banhado pela luz do sol, mas este parecia fugir de nós na mesma velocidade em que avançávamos. Quando alcancei a crista da montanha, tive a sensação de estar num sonho.  Depois de tantos dias rodeados por cadeias de montanhas, agora não havia nada mais alto do que nós, no horizonte. E este desaparecia no infinito. À nossa frente, uma pequena colina branca, para o qual seguíamos lentamente, pé após pé, sem emitir nenhuma palavra. Além dele, o céu quase negro caía sobre o tom de lilás  e uma estreita linha alaranjada e brilhante se estendia no horizonte. Para completar o cenário, o vento trazia um lençol de neve fina deslizando a um palmo do chão formando um efeito de fumaça de gelo seco. Fiquei muito assustado. Era noite! E eu estava chegando ao cume do Aconcagua! Eu sabia que tinha que ligar o piloto automático agora e só parar quando chegasse ao acampamento. A passos de zumbi, comecei a me aproximar de Arthur e fui recolhendo a corda lentamente e enrolando-a na mão. Estávamos caminhando agora em uma parte bem suave e com neve mais firme! Então me assustei novamente quando vi Arthur simplesmente parar e tombar a cabeça. Ficou somente alguns segundos como se estivesse dormindo em pé, mas era a primeira vez que eu o via assim tão esgotado! Temi que ele não tivesse forças para caminhar, esta seria uma situação terrível para nós, pois certamente eu não conseguiria arrastá-lo nem com a ajuda de mais três pessoas. Passar uma noite ali provavelmente seria fatal. Continuei enrolando a corda até passar a sua frente para dar algum apoio moral. Após o primeiro monte, avistamos novo falso cume, mas a subida deste foi um pouco mais penosa, pois a neve estava fofa, chegando à metade da canela com o pisar.

Cume
Cume (foto com brilho aumentado)

A superfície era bem lisa aparentando ser firme, mas afundava com um som de gemido tal quais passos nas areias finas da Barra da Tijuca. No topo deste novo monte pudemos avistar agora um grande e alvo chapadão. Começaram a surgir as primeiras rochas negras salpicadas na neve e a paisagem começou a ficar familiar. Paramos ao lado de alguns blocos maiores para guardar a corda e colocar os casacos de pluma. A confirmação do cume veio com a visão de um aparelho de medição, a vista do cume sul, mais afiado do que nunca, e de algum objeto na escuridão que deveria ser a cruz. Que visual maravilhoso e ao mesmo tempo aterrador. A cadeia de montanhas toda aos nossos pés, negras pela noite, mas com muita neve ainda refletindo um resquício de iluminação. Que diferença da primeira vez, com sol e tempo de sobra pra curtir e descansar!

A noite estava incrivelmente clara, podíamos avistar muito longe com nitidez. Tivemos muita sorte de haver somente uma brisa, já que, sem sol, o frio aumentava a cada minuto. Eu só procurava o caminho da descida e Arthur foi quem se lembrou de sacar a câmera para fazer duas fotos e me pedir para filmar. Puxei a filmadora, mas esta só filmou dois segundos. A bateria se esgotou pelo frio.

Achamos a descida com facilidade, estava bem marcada de pisadas. Mas ao olhar pra baixo vi que estávamos diante de um novo desafio. Uma longa descida na escuridão.

18 thoughts on “Glaciar dos Polacos”

  1. Fala Jr. Pude sentir a vibração nas palavras do teu relato ( 1ª parte). Isso é muito bom e ajuda na recuperação. Li agora sua resposta sobre o congelamento.Já passei um perrengue levemente parecido pois quando fui a primeira vez no Aconcagua, via normal,cheio de planos e sonhos, estava calçando uma bota La Sportiva mista.Inocentemente achei que seria suficiente.Ainda bem que o bom senso prevalesceu e decidi voltar de Nido, com os dedos do pé direito duros e sem sensibilidade.Nada de mais, felizmente.Mas, uma lição eu aprendi: Quanto menos se respeita a montanha, mais perigosa fica a escalada.Jamais se pode subestimar uma montanha e ainda mais a Sentinela de Pedra. Um grande abraço e melhoras.

  2. Junior, um livro só é pouco pra vc contar suas aventuras e historias! Mas seria uma satisfaçao ler, vendo só pela amostra daqui! Parabens pelo feito e pelo relato, pq é no relato q nós,simples mortais (ehehheh) podemos sentir um cadinho do seu feito! Valew!

  3. “sentei num tufo daquelas gramíneas e imediatamente senti as nádegas pegando fogo! ”
    Então quer dizer que vc ficou com fogo no rabo e nao me falou nada????????

    hehehehehehhehehehehhehehehe
    Kmon cara… seus textos estão ficando 10!!!!

  4. Meu velho, estava esperando por isso… pelo seu relato repleto de detalhes e de emoção… irado demais! Parabéns a vcs mais uma vez… E como tá o pé do Arthur?

    Abraço!

  5. Paulo,
    mais uma vez me empolgo e me emociono com seus relatos. Além de ser um montanhista brilhante vc escreve como ninguém.
    A cada relato seu eu entendo mais os seus motivos para gostar e viver neste esporte. É isto que faz o sangue correr nas veias. Apesar dos riscos, a experiência adquirida em cada jornada e a sensação de superação e conquista não tem preço.
    Parabéns mais uma vez a vcs por mais esta vitória.
    Um grande abraço, Gisele

  6. Hi,
    I´m the guy who you met on your way down to C1. We took some photos of you on the glacier on your summit day. I sent you an email on the adress you gave me. Obviously it did not arrived. Write me your correct adress so I can send you those photos.
    I hope your toes are all right already.
    Best regards
    Milan Keslar

  7. Paulo,
    Sua narrativa é rica e me emociona sempre que a leio.
    Pense em transcrever os seus relatos e os do Arthur para um livro, que tal?
    Boas montanhas!
    Beijos

  8. Junior, só li este relato hoje… está show mesmo. Foi realmente “animal” esta escalada de vocês, fiquei imaginando o caminho todo enquanto lia, temos poucos livros sobre escalada alpina de Brasileiros, você poderia em breve enriquecer esta biblioteca com um livro, espero que você consiga mais alguns feitos, tem muita montanha ainda te aguardando! Abç. Dago

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