Arquivo da categoria: Relatos

Relatos de aventuras e escaladas.

ATENÇÃO! Alguns fatos relatados aqui são provenientes de erros de planejamento ou riscos inerentes do montanhismo, canoagem, cicloturismo, etc. Pessoas que praticam esportes de aventura e atividades em ambiente natural estão sujeitas a quedas, afogamento, envenenamento, hipotermia, paralisia, amputação, desaparecimento em áreas selvagens, etc. Não incentivamos ninguém a se aventurar sem procedimentos de segurança ou conhecimento específico para a atividade pretendida.

El Chaltén 

Até bem pouco tempo a região de El Chaltén era um local extremamente remoto e de difícil acesso. A partir de meados dos anos 80 foi criado o município e as coisas vem mudando por lá com a chegada de infraestrutura. Hoje El Chaltén (ou apenas Chaltén, como costumamos chamar) é considerada a capital nacional do trekking na Argentina. É também uma das principais entradas do Parque Nacional Los Glaciares e um dos principais destinos dos montanhistas na Patagônia. Continue lendo El Chaltén 

Glaciar dos Polacos

Pisar nas encostas daquela montanha novamente me fazia automaticamente lembrar das circunstâncias da primeira experiência há quatro anos. Eu não podia deixar de sempre comparar o que eu estava vivendo agora. No final, cheguei à conclusão de que fora quase outra montanha.

De 2006 pra cá, subi algumas montanhas nevadas. Algumas com companhia. E uma delas foi o Tronador, na Argentina. Tive sorte de encontrar com Arthur Estevez na cidade de Bariloche querendo subir a mesma montanha e sem parceiro. No final conseguimos fazer cume e desde então combinávamos uma próxima escalada.

Recebi alguns convites de amigos para voltar ao Aconcagua, mas já que era pra sofrer aquilo tudo novamente, eu gostaria de fazer algo bem diferente da rota normal, que eu já conhecia. Sentir a ansiedade que antecederia o que seria pra mim um novo desafio. Eu queria tentar o Glaciar dos Polacos, pela rota direta. A face que abriga este glaciar tem um nível de dificuldade intermediário naquela montanha e a rota direta adicionaria mais aventura.

O Glaciar dos Polacos fica na face nordeste da montanha ligeiramente oposta à rota normal. Esta última, na face noroeste, costuma ter bem menos neve pois recebe a maior parte dos ventos que a carregam para ser depositada na face sul e nos glaciares do leste.

Em 2010, quando eu começava a planejar alguma montanha na Bolívia, Arthur me perguntou se eu não queria voltar ao Aconcagua.

– Só se for pela Polacos Direta. Respondi. Continue lendo Glaciar dos Polacos

Relatório de viagem – Peru 2010

Escalar três montanhas no Peru era parte do treinamento que adotamos para a nova empreitada: o Glaciar dos Polacos no Aconcagua, para final de 2010.

Combinamos a viagem com mais três: Adriana, Nuria e o amigo russo Alexei Mailybaev, que idealizou as escaladas das montanhas Pisco 5.752 m, Artesonraju 6.025 m e Huascaran 6.768 m, a mais alta do Peru. A primeira rota é classificada como AD- (algo difícil), mas as outras duas seriam D (difícil)* e, considerando que o Huascaran é somente 200 metros mais baixo que o Aconcagua, o nosso treinamento corria o risco de ser até mais difícil ou arriscado do que o próprio Glaciar dos Polacos. Continue lendo Relatório de viagem – Peru 2010

A Escalada que Virou Travessia

A primeira dificuldade foi decidir aonde ir no feriado de carnaval. Normalmente cinco dias são mais do que suficientes para curtir uma viagem. Mas não uma viagem internacional cujo objetivo seria subir uma alta montanha que exigisse aclimatação. Era isso que eu queria. Mas ao conversar com Emilia, que acabava de voltar da temporada 2008/2009 do Aconcagua, ouvi:

– Alta montanha não! Quero algo mais light! Chega de sofrimento!

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Abrindo o ano de 2009 no Tronador

Partiu! Partiu!

Mont Blanc, Fácil e Perigoso

Mont BlancEu mal acabara de ler o “Sobre Homens e Montanhas” do Krakauer e me vi mergulhado na exata atmosfera de Chamonix, descrita em seu livro da década de 90. Esta pequena vila cercada por muralhas de montanhas respira escalada. A todo instante alpinistas passam por suas ruas bonitinhas e apinhadas de lojas de aluguel e venda de equipamento de montanha. Além das próprias montanhas, cachoeiras, geleiras e pistas de esqui que se descortinam ao fundo entre um prédio e outro.
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A Escalada Solo do Vulcão Osorno

Quando o rastro no solo coberto por pedras vulcânicas e poeira encontrou o glaciar, passei a seguir marcas de passos na neve. Não eram bem pegadas, pois deviam ser do grupo que subiu no dia anterior, ou mesmo da dupla que eu via quase no cume, e a essa altura o sol já derretia estes rastros na neve. Eram onze horas de uma manhã bem ensolarada, com céu azul. Eu me guiava por uma ondulação que seguia um padrão diferente das infinitas rugosidades naquele mar branco.

Me concentrava totalmente em não sair deste caminho, uma vez que eu estava sozinho e o perigo de cair dentro de uma greta, sem que um companheiro atado a mim por uma corda, pudesse deter minha queda.
As marcas pareciam seguir a rota mostrada nas fotos que estudei, mas em pouco tempo estava eu na borda de uma greta larga e comprida.

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A Pedra que Engole

 

A Pedra Que Engole
A Pedra Que Engole

Luciana Souza.

Essa cara amiga me aprontou uma boa na Pedra Que Engole, em Trindade, Rio de Janeiro.
Apreensiva que estava para entrar neste famoso buraco cheio d’água da cachoeira de Trindade, Lu já havia ido e voltado várias vezes tentando tomar coragem. Tentei convencê-la dizendo que eu entraria primeiro e lá dentro guiaria seu pé, pois a água que escoa pelo buraco forma uma cortina não deixando que se veja lá pra dentro.

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Como não pular carnaval no Nordeste

Alguns minutos depois comecei a perceber na escuridão, um morro alto à minha esquerda e bem próximo, que me obrigava a tentar contorná-lo pela direita. De repente chego numa espécie de área de estacionamento, com algumas barraquinhas, provavelmente de artesanato ou coisa assim. Reparei então um caminho íngreme por entre a vegetação no tal morro e percebi que o “morro” era uma duna, uma corda auxiliava a subida íngreme. No alto da imensa duna, minha lanterna não conseguia iluminar mais do que alguns metros e eu somente pude ter a sensação do imenso espaço escuro que estava a minha frente. Estava eu na borda da imensa faixa de areia que eu atravessaria nos próximos dias. Continue lendo Como não pular carnaval no Nordeste

Aventuras em Macaé

Sempre que eu viajo para Campos fico admirando aquela fabulosa montanha. Logo depois do carnaval em São Thomé das Letras, resolvi fazer um circuito, sair pedalando da BR-101, na altura de Macaé, em direção a Glicério, subir o Frade e depois seguir para Sana. Se desse tempo, também voltar pedalando até em casa. Vini Held veio comigo e iríamos encontrar Mônica e Junior em Sana.

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