3000 km de bike pela Amazônia

Para encarar a pedalada pela floresta, Felippe tomou vacina contra febre amarela e comprou repelente. (Foto: Felippe César/ Arquivo Pessoal)

Aventura começa entre Manaus e Boa Vista, com trecho dentro de reserva.

Aos 23 anos, o arquiteto Felippe César está prestes a encarar uma das maiores aventuras de sua vida. Sozinho, no meio da Amazônia. A largada está marcada para os próximos dias e, no fim, deverá somar quase 3 mil quilômetros sobre duas rodas dentro da floresta.

O ciclista deve sair de Manaus no começo de julho e rodar até Boa Vista, em Roraima. Depois, segue até a Venezuela e passa por Guiana, Suriname e Guiana Francesa antes de voltar ao Brasil. Felippe ainda fará o trecho de Oiapoque a Macapá, no Amapá, onde pegará um barco para Manaus. De novo por lá, vai pedalar até Porto Velho (RO) e Rio Branco (AC) para seguir até o Peru.

O roteiro na Amazônia é só um pedaço do projeto que o ciclista iniciou há alguns meses. Quando partiu de Aracaju, em Sergipe, Felippe César começou um projeto que vai mantê-lo no banco da bicicleta por pelo menos cinco anos. Ele pretende dar a volta ao mundo em duas rodas para analisar sistemas de mobilidade urbana por onde passar. 

A ideia é ampliar a pesquisa que criou ainda durante a faculdade de arquitetura, concluída em 2008. Para contar suas histórias pelo caminho, Felippe César criou um site na internet. “Não tenho pressa”, diz.

O trecho por dentro da Amazônia vai exigir de Felippe alguns sacrifícios a mais, como ter de dormir em redes montadas na beirada da selva, encarar o possível encontro com uma onça e ter de pedalar um dia inteiro para cruzar a reserva indígena Waimiri-Atroari, entre Amazonas e Roraima. A pedalada não será tão simples como o trajeto que ele já fez da cidade de Santarém até a vila de Alter do Chão, no Pará.

 “A peculiaridade do trajeto entre Manaus e Boa Vista é esta reserva. A estrada que passa por ela tem horário para abrir e fechar. Vou ter de dormir nas portarias”, diz Felippe. Se aparecer uma onça? “A dica é não dar as costas para ela, senão o bicho ataca. Mas até agora só vi animais mortos nas estradas. 

Felippe vai pedalar os 125 quilômetros da BR-174 que cruzam a reserva Waimiri-Atroari em apenas um dia. Antes de chegar a Boa Vista, a média deverá ser a mesma. Um dos problemas será desviar dos buracos na estrada. “A BR-174 não tem acostamento e a pavimentação está ruim em muitos trechos. Isso é ruim pra quem viaja de bicicleta. Mas vou aproveitar o contato com a natureza”, diz ele.

Para encarar a viagem, Felippe leva uma bagagem que pesa cerca de 60 quilos. Com a comida que vai precisar preparar durante a pedalada pela floresta, o peso deve aumentar em mais dez quilos, além da quantia extra de água. O ciclista também tomou vacina contra a febre amarela. “E acabei de comprar repelente pra não ficar vulnerável ao mosquito da malária”, diz ele.

Felippe acredita que esse primeiro trajeto entre Manaus e Boa Vista será mais fácil do que a viagem que vai de Manaus a Porto Velho, pela BR-319. “Esse trecho vai ser mais difícil porque tem densidade demográfica muito menor. Soube que é possível acampar em áreas descampadas perto de torres da Embratel, que ficam a cada 30 ou 40 quilômetros”, diz ele.

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