Vulcão Osorno

A Escalada Solo do Vulcão Osorno

Começando!

Almocei no restaurante um prato com um grande bife e levei meu equipamento para a inspeção. Depois de tirar corda, crampons, piolet, capacete, rádio, parafuso de gelo, botas plásticas, óculos, o guarda-parque se convenceu de que eu possuía equipamento adequado para a escalada e surpreendentemente empenhou-se em conseguir um meio de que eu pudesse subir o vulcão.

Já que era proibido subir sozinho, fomos até o clube de esqui, onde segundo ele, havia um rapaz que lá trabalhava e que estava com vontade de voltar ao cume do vulcão. Não confirmamos naquele momento, pois o garoto precisava pedir permissão ao responsável pelo clube para se ausentar de seu trabalho no dia seguinte, mas ficamos sabendo que uma outra dupla escalaria a montanha também no próximo dia.

Como, de uma maneira ou de outra, haveria outros na montanha, além de mim, o prestativo homem, que se chamava Igor, permitiu que eu iniciasse minha caminhada até o local chamado de La Olla, onde se costuma acampar para a escalada.

Enquanto eu arrumava minha mochila, desceram quatro montanhistas. Parece que o pessoal costuma fazer esta escalada em somente um dia.

Antes de eu partir, Igor me indicou uma torneira do lado de fora, onde eu poderia me abastecer com água. Foi então que me lembrei de que eu estava sem nenhuma comida e combustível para derreter neve… Decidi aceitar mais esta dificuldade antes que o homem resolvesse mudar de ideia e parti.

O caminho começava numa estrada ao lado da cabana, mas logo a abandonei cortando mais diretamente em direção ao vulcão, somente para descobrir o quão era difícil progredir num cascalho vulcânico fino e solto, com a aparência daqueles amendoins caramelados. Utilizei então o cabo de aço do teleférico tombado ao chão para caminhar como se estivesse na corda bamba, mas me apoiando com os bastões. Desta forma eu evoluía incrivelmente, já que em cada passo eu não escorregava tudo de novo no cascalho. Depois uma hora ou mais, ao final deste aclive inicial, encontrei a primeira língua de neve. A essa altura é claro que minha água de duas garrafinhas de 700 ml, já tinha ido embora.

Dead manParei pra descansar, catei alguma neve e coloquei dentro das garrafas, ao sol, para tentar fazer água e fiquei treinando ancoragens na neve com os equipamentos que não tinha costume de usar.

O clima estava imensamente agradável, com um sol forte e ausência total de vento, o que me deu vontade de tirar a camisa. Estendi o meu isolante térmico na neve mais plana e me deitei com meus óculos escuros, me sentindo na praia. Que montanha gentil me pareceu o Osorno!

DSC05550Mas o sol já estava baixando e me vesti outra vez, inclusive com a segunda pele, as botas plásticas, crampons e a calça impermeável. Eu tinha caminhado muito pouco, podia até armar minha barraca ali mesmo, mas queria subir um pouco mais.

Continuei caminhando, tentando identificar o local que eu só conhecia por fotos. O lugar mais provável me pareceu muito ruim de acampar, com muitas pedras, não tinha nenhum indício de ser um acampamento e, na dúvida, decidir continuar subindo. Agora por uma ladeira de neve mais íngreme, com uns 45° de inclinação uma hora depois, o sol já dava seu espetáculo no crepúsculo, mais eu ainda não encontrara nenhum local onde eu pudesse dormir sem rolar ladeira abaixo!

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