A morte do alpinista espanhol no Anapurna

Em 27 de maio, o topo do Annapurna  viveu um dia histórico, com um assalto ao cume conjunto de mais de vinte alpinistas. Entre eles estava a Coreana Oh Eun-Sun, que ao chegar ao cume se tornou a primeira mulher com os catorze oito mil (na pendência de exame pelo seu pico no Kangchenjunga). Ela foi acompanhada por pelo menos dois alpinistas coreanos e sete Sherpas. Entre as 2:00 e as 03:00 horas, todos quiseram deixar o C4, com duas dificuldades adicionais, que tinham prejudicado eles entre o C3 e o C4, de acordo com Colibasanu: o progresso lento, devido à queda de neve recente, e a fila que se formou por causa do acúmulo de pessoas nas cordas fixas. Além disso, as previsões meteorológicas previam ventos de até 50 km / h no topo.

Após o grande número de alpinistas que chegaram ao cume, o descenso foi mais difícil para a maioria deles. Especialmente para Tolo Calafat, companheiro de Juanito Oiarzabal, que não pôde chegar ao C4 (7.200 m) durante a noite e dormiu na neve a 7600 m junto do Sherpa Sonam. O alpinista sofreu edema cerebral e se recusou a caminhar por seus próprios pés. O resgate foi organizado de manhã cedo no acampamento base por dois alpinistas que foram incapazes de tentar o cume, o espanhol Javier Pérez-mate Carlos Pauner e americano Nick Rice. Conforme relatado por Rice, tentou-se mobilizar um helicóptero B3 pra o resgate de Tolo.

Durante horas, a situação tornou-se cada vez mais preocupante no topo do Annapurna. A previsão meteorológica advertiu neve pesada, que complicava ainda mais. Tolo Calafat continuava no bivaque onde havia passado a noite em 7.600 metros de altura, com edema cerebral. Seus companheros, Juanito Oiarzabal e Carlos Pauner sofreram queimaduras e problemas de visão e permaneceram em suas tendas no C4 (7200 m). A esperança era a possível chegada de um helicóptero que pudesse voar até aquele ponto e realizar uma evacuação. Se o helicóptero pudesse voar, mas não evacuar Tolo Calafat, Horia Colibasanu ofereceu-se para adiar a sua descida. O alpinista romeno esperaria até que o helicóptero disparasse oxigênio e medicamentos ate o C4 e ele ia a pé ate Tolo para tentar reanimar-lo o suficiente para fazer a descida.

No entanto, a operação de resgate de Tolo Calafat no Annapurna sofreu um grande revés. A fraca visibilidade e o mau tempo impediu ao helicóptero chegar aos 7600 metros em que o alpinista estava isolado. Assim, Tolo teve que passar mais uma noite da melhor maneira possível, e na manhã seguinte a primeira hora o helicóptero tentaria novamente. Um sherpa de Carlos Pauner, de nome Dawa, desafiou o mau tempo e foi procurar o alpinista, carregando uma garrafa de oxigênio, medicamentos, um saco de dormir, comida e uma tenda.

Infelizmente, a tragédia foi consumada no Annapurna novamente. Tolo Calafat não conseguiu superar mais uma noite em 7.600 metros, e seu corpo foi visto na manhã coberto de neve desde o helicóptero de resgate.

Um novo susto alarmou o acampamento base do Annapurna no dia 30, quando no por do sol ainda não haviam chegado Sonam Sherpa e Dawa Sherpa. Ambos participaram da tentativa de resgate de Tolo Calafat. Felizmente, depois da meia-noite os montanhistas espanhóis deram um suspiro de alívio com a chegada de ambos.

A controvérsia surgiu entre Juanito Oiarzabal, companhero de Tolo Calafat, e Oh Eun-Sun, a primeira mulher com os quatorze oito mil. De acordo com Juanito, dois dos shepas de Oh, Dawa Ongju e Pema Chering, não se dispuseram a cooperar na salvação Tolo Calafat, apesar de sua aparente boa forma. Estes Sherpas em sua descida do cume parece que removeram (possivelmente por engano) uma corda fixa de aproximadamente 200 metros que fora instalada num corredor por parte da expedicao de Pauner-Oiarzabal-Talafat. Dias mais tarde, no acampamento base do Annapurna houve uma nova polêmica quando os sherpas de Miss Oh quiseram receber dinheiro para ajudar na busca dos outros dois sherpas – Dawa e Sonam -, que ainda não tinham descido.

Estes dois sherpas são as estrelas de mais uma polêmica, uma vez que Edurne Pasabán (espanhola que acaba de conquistar o seu décimo terceiro oito mil) garante que eles tinhan afirmado no acampamento base do Annapurna que Miss Oh não tinha subido ate cume do Kangchenjunga. Segundo esta versão, miss Oh  não teria conquistado os quatorze oito mil.

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