Mauá – Itamonte: Travessia Invernal na Mantiqueira


Na Crista da Serra da Colina

Acordei la pelas 6:30 – e melhor da garganta – ao som das estridentes maritacas nas arvores próximas. Tava frio e aguardei o sol estender seus aconchegantes raios sobre o vale. O Maromba mal me viu q veio todo contente querendo brincar; ele dormira aninhado no capimzao ao lado do quiosque. A bermuda q o Edu deixara fora da barraca comprovou q geara à noite; tava congelada e + parecia uma placa de alumínio de tão dura e branca q ficou! Aos poucos a galera foi acordando e, preguiçosamente, deixando seu aconchegante saco dde dormir. Qdo o sol alcançou o campinho começou a disputa por seus raios, inclusive o Maromba, enquanto o orvalho evaporava do sobreteto das barracas. Tomamos um farto café no quiosque e cada um contou sua expereincia noturna; parece q não fui o único q passara frio. De repente, vimos um cara se aproximar do campo. “Puts, vao nos expulsar ou cobrar algo”, pensei. Q nada, o cara apenas vinha nos dar um toque q ali não podia acampar, pensando q permaneceríamos ali + tempo. Expliquei q já estávamos de partida e td ficou bem. Aproveitei e peguei dicas p/ percurso daquele dia. Iniciamos a pernada por volta das 9:30 c/ promessa de + um dia lindo, atravessamos a ponte de madeira e tomamos a estradinha de terra q acompanha o Aiuruoca, p/ direita. Não andamos nem 200m e deixamos da estrada, tomando uma picadinha galgava as ingremes montanhas à esquerda. Bravamente, fomos ganhando altitude atraves de sulcos erodidos, ziguezagueando as encostas da Serra da Vargem Grande. Poderíamos ter simplesmente seguido pela estradinha de terra, mas ai seria enfadonho demais. Na verdade era + interessante ir por cima da serra e depois, do outro lado, ir de encontro com a estradinha, q contornava a serra. Enfim, um atalho. Na subida, algumas casinhas dispersas na mata ciliar, onde cruzamos c/ Seu Francisco, q descia transportando leite fresco. Ainda bem q o Maromba não cismou c/ o cavalo dele. Após atravessar um túnel-canavial e + uma casinha, onde colhemos infos – parece q éramos o assunto da região, pq td mundo sabia q havíamos pernoitado no campinho! – iniciava agora a subida derradeira q so de olhar desanimava: inúmeros ziguezagues numa piramba íngreme na encosta desnuda da montanha! Um pequeno córrego encheu os cantis e nos refrescou antes do martírio e la fomos nos, subindo lentamente c/ varias paradas p/ repor o fôlego durante td trajeto. Claro q aqui já tava td mundo disperso, cada um seguindo seu ritmo, mas de cima eram todos visiveis. Alcançamos o alto da serra 11hrs, onde descansamos merecidamente alem de apreciar a paisagem maravilhosa do Vale do Aiuruoca, Serra Negra e Itatiaia visto de outro lado, assim como as montanhas q descêramos o dia anterior! Um local em si bem cênico merecedor de vários clicks! O destaque ficou por conta de Bob, q discursou sobre as msgs subliminares do Malboro. Agora a trilha toca pela crista da serra pro oeste, passa pro outro lado na encosta, em meio a muita samambaia, focos de mata, araucárias e muito gramado forrado de pinhao. Deixamos o Vale do Aiuruoca atrás p/ adentrarmos agora no Vale de Vargem Grande, cuja descida não consome nem 40min, em declive suave pela encosta. Após uma porteira, chega-se na estradinha (a mesma do inicio do dia, so q beeem adiante) e vamos p/ esquerd, já com sinais de casas, algumas pousadinhas c/ jardins decorados c/ vistosas hortensias e gente passeando de cavalo. Meio-dia já nos encontramos no arraial de Vargem Grande, um punhado de casas c/ alguma infra ao largo da estradinha. Por sorte, uma das casas era a Pousada dos Lírios, q dispunha bebidas e petiscos. Claro q aqui foi nosso pit-stop! Descansamos, tomamos cerveja, lanchamos e mandamos ver uma deliciosa porção de lingüiça c/ cebola, q o Maromba não tirou os zóio. É ou não é uma trilha de conforto?? Tanto é q muito ficaram tentados a ficar ai… Mas td q é bom dura pouco e ainda tínhamos serra p/ subir, a Serra da Colina, a nossa frente, do outro lado do vale. Claro, enchemos todos os cantis pq boa água so no dia sgte. 13:30 e pé na estrada novamente. Passamos uma Igreja (Congregação Crista) e um laticínio (SerraNegra) Na ultima casa, sai da estrada pela direita e toma um trilho q acompanha a cerca, p/ norte. Trilho bem batido e largo. Logo acompanhamos outra cerca (a nossa esquerda). No fim desta, saimos da trilha principal (q dá num belo descampado de araucárias) e tocamos p/ esquerda, acompanhando a cerca de arame, q desce um pequeno vale. Atraves de mata baixa e arbustiva, chegamos no fundo, onde o Ribeirao Vargem Grande é transposto c/ muito equilíbrio por cima de um tronco tremulo. Agora não tem + erro, é so seguir trilha acima, ora alternando pirambas íngremes ora suaves, mas sempre sob a sombra refrescante de arbustos, samambaias e arvores baixas. Logo a mata torna-se mais fechada e úmida, mas a trilha é nítida. O Maromba, todo alegre, é quem sempre faz o reconhecimento do terreno, sai disparado na frente e se enfia nas encostas de mata fechada, emergindo do nada, as vezes. Pelo jeito ele tb tava curtindo a trip. Pontualmente 15:20 alcancamos a crista aberta da Serra da Colina. Estamos a 1890m de atitude e Vargem Gde agora é um amontoado de casinhas, 400m abaixo, a sudeste. Agora é so andar pela crista novamente, pro norte, ainda em aclive imperceptível. Do lado esquerdo temos uma ampla vista do verdejante Vale do Rio Jiroca e à direita ainda o Vale do Aiuruoca, ao longe. Logo a crista torna-se mais ampla, quase um platozao de capim e, mais ao norte, divide-se em duas: p/ nordeste seguiríamos pela crista da Serra da Cachoeira; mas é p/ noroeste q nossa trilha vai, ainda na crista da Serra da Colina. A subida continua suave e agradavel, desta vez c/ o sol na nossa cara, ate chegarmos – ora pela crista ora pela encosta de pasto ralo – na altura máxima da trip, quase 2050m. O sol cai rapidamente e meu olho clinico já perscruta algum local decente p/ pernoite. Enquanto a galera descansa num gramado da encosta, saio em busca de um local mais interesante p/ acampar. Achei. Continuando pela trilha, contornamos um foco de mata pela esquerda, atravessamos uma rústica porteira e tamo novamente na crista, quase no final da Serra da Colina, as 17hrs. O visu é panorâmico; a sudoeste a Pedra do Picu lembra uma barbatana de tubarão num mar verde; mais ao longe, a silhueta da Serra Fina; ao norte a cadeia da Serra do Manguara e Serra dos Costas não deixa tb por menos. Cansados, montamos as barracas ao largo da crista em lugares planos, enquanto o crepúsculo cênico é acompanhado por uma brusca queda de temperatura, onde algumas nuvens ameaçam encobrir td de vez. No inicio da noite nos reunimos p/ jantar, menos Edu e Silvana, q não arredam pé da barraca. Após uma janta suculenta – racionando nossa água – p/ suportar o frio q fazia q era intensificado pelo vento, nosso barman coletou barras de chocolate da galera, derreteu e – num processo alquímico-etilico – transformou num delicioso “Choconhaque” q todo mundo mandou ver, sem dó! Ate o Maromba teve fartura aquela noite: a Emilia preparou um miojao caprichado especialmente p/ ele; depois soubemos q o Edu tb fez o mesmo. O papão tava muito bom mas o frio não permitiu maiores delongas. Hora de mimir as 20hrs! O céu tava estreladissimo e o faiscar tremulo das luzes de Itamonte, a noroeste, era sinal q nossa trip tava próxima do fim. Começou a ventar forte, afinal aquele cume era totalmente aberto. Ate cogitei colocar o Maromba na barraca, mas ao vê-lo se coçando varias vezes desisti da idéia. Depois ele se aninhou confortavelmente encostado na barraca do Edu. De madruga fez menos frio q a noite anterior, mas ventou muito; eu já via minha barraca voando e tinha horas em q a parede lateral encostava no meu rosto! Em compensação,a mesma lua iluminou maravilhosamente as montanhas ao redor.

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