Orientação

A palavra "orientação" vem de "oriente", o lado o

A palavra "orientação" vem de "oriente", o lado onde o sol nasce. Este sempre foi o grande referencial dos homens quando precisavam saber onde estavam, de onde tinham vindo e para onde queriam ir. Não se sabe quando o primeiro homem passou a usar o oriente como referência. Provavelmente isto ocorreu ainda na era pré-histórica.

 

 

O oriente, também chamado de "Leste", é tão importante que os demais pontos cardeais foram estabelecidos com base nele. Se você postar-se de modo que o Leste fique à sua direita, o Norte estará à sua frente, o Oeste à sua esquerda e o Sul atrás de você.

 

 

Depois do homem ter inventado os pontos cardeais, sua próxima grande invenção foi o mapa. Provavelmente, os primeiros foram um tanto semelhantes a este. Veja que o sol (possivelmente o sol nascente) está representado, o que dá orientação a todo o mapa. Se não fosse a representação do sol, não saberíamos que o lago está ao norte da travessia do rio, ou que trilha segue na direção Noroeste – Sudeste.

A orientação faz a diferença!

 

Olhe bem o mapa. Veja que seu autor lançou nele várias referências como o grupo de 3 árvores, a grande rocha do lado de cá do rio, a linha da crista da serra com seus vários picos, a grande árvore isolada e o lago, ambos do lado de lá do rio, e o próprio rio.

 

 

Digamos que as trilhas da região sejam bastante marcadas. Portanto, você sabe que está em uma delas. Mas qual? E em que ponto?

 

Se ao caminhar você notar que uma das árvores encobriu um determinado pico da serra, então você saberá onde está. Como foi isto?

 

Intuitivamente, você fez uma marcação usando 3 referenciais: o pico da serra, a árvore e a trilha. Você sabe que está na trilha, isto é: em algum lugar daquela linha marrom. A linha vermelha é uma linha de visada que parte da sua posição, passa pela árvore e vai dar num determinado pico da serra. O ponto onde a linha de visada corta a trilha é onde você está. Simples, não é?

 

Mas este é um mapa que poderia ter sido desenhado por uma criança. Tem várias falhas. Para que lado está correndo o rio? Quais as distâncias entre os diversos referenciais? Quais as altitudes dos diversos picos aqui mostrados? O que são estes pontos terminais da trilha? Cidades? Vilas? Povoados? Sedes de fazendas, ou de indústrias? Que tipo de terreno há ao longo da trilha e entre os pontos de referência? E onde isto tudo está com relação ao mar, ou à sua cidade?

 

Para responder a perguntas deste tipo é que a cartografia (a ciência que lida com os mapas) foi evoluindo.

 

Criando um mapa

 

 

Antigamente, dezenas de equipes munidas de aparelhos especiais denominados teodolitos, tinham que sair em campo e medir tudo. A altura de cada pico e a distância entre os diversos pontos de referência. Mais tarde, depois da segunda guerra mundial, o solo passou a ser fotografado de um avião, nascia a aerofotogrametria.

Hoje, os mapas ainda são feitos com base em fotografias. Mas, também entram na receita-de-bolo as imagens obtidas pelos radares. Quando o mapa cobre uma área muito grande pode-se aproveitar as fotografias e as imagens de radar obtidas por satélites. Mas, à medida que os mapas vão cobrindo áreas menores, e tendo que ser mais precisos, as fotos vindas de aeronaves voltam a entrar no negócio.

 

 

Estas fotos (em preto e branco) são obtidas usando-se câmeras especiais com lentes especiais que evitam praticamente toda e qualquer distorção na imagem final. As fotos são tiradas entre 08:00 / 10:00 pela manhã e 14: 00 / 16:00, da tarde. Por que? Por causa das sombras projetadas pelos objetos fotografados. Fica mais fácil de se analisar uma aerofoto assim.

 

 

small>Uma vez que as fotos estejam prontas, e de passarem por diversos processo de controle de qualidade são selecionadas e delas feitas várias cópias. Um conjunto destas cópias são entregues às equipes de apoio de solo, formadas por topógrafos e seus auxiliares. Cabe a estes profissionais procurar pontos no solo, facilmente identificáveis nas fotos, e determinar sua altitude acima do nível do mar, sua longitude e latitude. E ainda os nomes das principais entidades encontradas na região. Isto significa perguntar aos habitantes locais os nomes de fazendas, igrejas, escolas, morros, cursos d’água, etc.

 

 

Enquanto as equipes de apoio de solo trabalham, outro conjunto de cópias das fotos é  usado pelos especialistas em foto-interpretação. Usando um aparelho chamado estereógrafo, o especialista vai desenhando num papel aquilo que vê nas aerofotos. Mas ele não vê as coisas como nós as veríamos, numa simples foto. O especialsta usa as fotos aos pares, e as vê pelas oculares do estereógrafo, que lhe dá uma visão tridimensional do solo. O analista de aerofotos, (fotointerpretador), usando o estereoscópio desenha no papel as edificações, rodovias e ferrovias, linhas de transmissão de eletricidade, torres repetidoras de microondas, pistas de pouso, etc. E também os corpos líquidos como os lagos e açudes, rios e córregos. Avaliando a cobertura vegetal, ele ainda desenha, os limites das matas e campos naturais, campos cultivados e pastos, e assim por diante. E, uma vez recebidas as fotos usadas pelas equipes de apoio de solo, o especialista dará nomes a cada um destas entidades.

 

 

Através do estereógrafo, vemos um pontinho que, conforme regularmos o aparelho, "voará" acima do solo ou por ele "rastejará". O que o especialista faz é "pousar" o pontinho num dos locais onde a equipe de apoio de solo determinou a altitude e, a partir dali, mantendo o pontinho "rastejando" pelo solo, sempre a uma mesma altitude. Enquanto isto, um desenhador mecânico, ou eletrônico, vai desenhando uma linha numa folha de papel. Estas linhas são chamadas de curvas de nível.

 

 

Você já notou aquelas trilhas de gado que vão seguindo pela encosta do morro, sem nunca subir ou descer? Imagine-se num helicóptero, bem em cima do topo do morro, olhando para baixo. As tais trilhas de gado não contornam o morro, sempre à mesma altitude? Pois é, as curvas de nível fazem praticamente a mesma coisa. Só que de uma forma bem mais exata.

 

 

O problema é a interpretação do que se vê nas fotos. Se o especialista vê, entre dois morros, uma matinha que acompanha uma linha de terreno mais baixo, ele pode (com todo o direito) interpretar aquilo como uma mata ciliar ao longo de um curso d´água, e ali marcar um córrego. Ele não tem como verificar se ali realmente tem água corrente ou se é apenas uma grota ou ravina bem úmida onde a vagetação está mais desenvolvida (mata de galeria). Portanto, é natural que os mapas contenham algumas informações errôneas. Ainda não se inventou um método perfeito para criar os mapas. O engano mais comum são os córregos inexistentes. Assim, não confie totalmente num mapa para planejar suas provisões de água.

 

 

Mesmo depois de desenhadas todas as curvas de nível e todos os acidentes geográficos, o mapa ainda não está pronto! Onde fica a área mapeada, em relação ao resto do mundo? Mais uma vez o especialista recorre às fotos usadas pelas equipes de apoio de solo. Delas obtém as coordenadas dos locais de referência que eles determinaram. Usando estes valores, o especialista cobre o futuro mapa com uma grade de finos traços: é a grade de coordenadas. As coordenadas (latitude e longitude) são valores medidos a partir do Equador e do Meridiano de Greenwich (uma cidadezinha na Inglaterra). Estas medidas podem ser em angulares (graus, minutos e segundos) ou métricas. Normalmente os mapas que usaremos em caminhadas (cartas topográficas) têm coordenadas métricas. Mas, você notará nos cantos, e nas margens, da carta valores expressos em graus e/ou minutos.

 

 

O resto é mais simples: determinar as diversas cores e padronagens, as dimensões da folha de papel, a moldura do mapa, legendas e outras notas explicativas, e assim por diante, até que, eventualmente, o mapa será impresso e publicado.

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