Pesquisa revela que quatro favelas da Zona Sul cresceram 81% em 40 anos

RIO – Levantamento do Ministério Público estadual e do Exército revela o tamanho do estrago causado na Mata Atlântica pelo aumento da favelização na Zona Su

RIO – Levantamento do Ministério Público estadual e do Exército revela o tamanho do estrago causado na Mata Atlântica pelo aumento da favelização na Zona Sul do Rio. O crescimento de quatro comunidades – Rocinha, Vidigal, Chácara do Céu e Parque da Cidade – consumiu uma área verde de 548 mil metros quadrados entre 1965 e 2005. Um crescimento de 81,5% em quatro décadas, informa a edição deste domingo do jornal O GLOBO. Clique aqui e veja a apresentação do estudo sobre o crescimento das favelas da Zona Sul

– A impressão que temos é que, ao longo desses anos, os moradores dessas comunidades viveram à margem de diretos e deveres. E isso certamente não ocorreu por culpa deles, mas sim por causa do poder público. O estudo não deve ser encarado como um obeto de polêmica, mas como um ponto de partida para uma nova realidade – analisa Carlos Frederico Saturnino, promotor da equipe de meio ambiente do MP.

Menor do que a Rocinha, o Vidigal foi a favela que mais cresceu horizontalmente tanto em número absolutos quanto percentualmente (263 mil metros quadrados ou 216%). Com base em dados dos censos de 1960 e 2000 do IBGE, O GLOBO comparou os crescimentos populacional e territorial nas quatro comunidades: na Rocinha, por exemplo, embora a favela ocupe nos dias de hoje uma área 48% maior que na década de 60, seu espaço interno é bem mais adensado. Em 1965, havia aproximadamente 35 metros quadrados para cada habitante. Já em 2005, a estimativa é de 14 metros quadrados para cada morador. O número de moradores saltou de 14.569 para 53.338, crescimento de 266%.

O promotor Carlos Saturnino explica que a idéia do levantamento surgiu por causa da grande quantidade de inquéritos em andamento para apurar a depredação da Mata Atlântica nessas regiões. O estudo será encaminhado nos próximos dias aos órgãos ambientais, sociais e de habitação do estado e do município, com uma série de recomendações. Se nenhuma providência for tomada, o MP poderá entrar com ações na Justiça. Segundo Saturnino, os maiores descasos sobrecaem sobre o município.

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