Divulga

Projeto mostra com fotos os efeitos do aquecimento global

Estudo que registra imagens de geleiras vira documentário que mostra como o aquecimento do planeta está modificando a paisagem das regiões mais frias do
Estudo que registra imagens de geleiras vira documentário que mostra como o aquecimento do planeta está modificando a paisagem das regiões mais frias do mundo.

 

Thaís Ferreira

Divulga

O fotógrafo James Balog se impressionou ao ver o aquecimento global acontecer "ao seu redor" e resolveu registrá-lo em fotografias.

O americano James Balog já havia registrado muitas paisagens incríveis em seus 30 anos como fotógrafo da natureza quando, em 2006, foi pela segunda vez à Islândia para fazer um ensaio fotográfico da revista National Geografic sobre geleiras. Na ocasião, Balog ficou impressionado ao perceber que aqueles blocos enormes de gelo compactado estavam realmente derretendo numa velocidade, segundo ele, excepcional. “Notei as mudanças climáticas acontecendo ao meu redor. Quis achar uma forma de registrar isso e fotografar o gelo era uma boa ideia, porque é fácil observá-lo”.

De cético – Balog confessa que não acreditava no aquecimento global –, tornou-se um observador atento do que está acontecendo com o planeta. Ele idealizou o projeto “Extreme Ice Survey” (ou “Inspeção ao Gelo Extremo”) para acompanhar, por meio de fotografias e vídeos, as mudanças nas regiões que abrigam geleiras, como a Groenlândia e a Antártica. O principal objetivo do projeto é conscientizar pessoas que, como ele mesmo no passado, não acreditam que, mesmo a milhares de quilômetros, suas atitudes afetam a natureza dos polos. As expedições às geleiras viraram um documentário que será exibido no dia 22 de abril, às 21h, no canal Nat Geo. O filme foi feito pelos próprios pesquisadores e dirigido por Balog.

Além do fotógrafo Balog, a equipe de "Gelo Extremo" é formada por pesquisadores, especialistas em glaciologia (que estudam as geleiras) e ciências da atmosfera de diversas universidades americanas. Eles acompanham as imagens registradas por 27 câmeras fotográficas colocadas em 15 pontos da Terra, entre eles Alasca, Islândia, Groenlândia, Bolívia, na região dos Andes, e as Montanhas Rochosas nos Estados Unidos. As fotos são feitas por câmeras digitais de tempos em tempos e seu conjunto forma um registro perfeito das transformações das paisagens. As câmeras usadas são super-resistentes para suportar nevascas, avalanches e temperaturas abaixo de 40ºC negativos. Toda a energia dos aparelhos é fornecida por uma combinação de pilhas, baterias e painéis solares. Cada uma dessas câmeras tira cerca de 4 mil fotos por ano, o que já rendeu um arquivo de mais de 500 mil imagens do Gelo Extremo.

As geleiras levam séculos para se formar, mas podem derreter em poucos anos. Elas estão presentes em todo o mundo – nas zonas tropicais são encontradas no alto de montanhas, como nos Andes – e são formadas por camadas de neve, que com o tempo e novas nevascas compactam as camadas inferiores. Estão em constante movimento, como se fossem uma espécie de rio congelado, e muitas populações usam a água das geleiras derretidas para beber. Dependendo de quanto elas derreterem, cidades costeiras e ilhas poderão ser inundadas e a temperatura da Terra poderá subir ainda mais. A superfície branca do gelo reflete os raios solares, impedindo que eles aqueçam o planeta. Outro risco é o fim do abastecimento em regiões que dependem das águas congeladas. “As comunidades abaixo do Himalaia e dos Andes dependem da água das geleiras para a agricultura e o consumo. Nos Andes, elas têm perdido um metro de altura a cada ano. Em alguns anos, não teremos mais tanto gelo lá em cima. Está chegando o dia em que a última leva de água doce descerá pelos Andes, e aí teremos um grande problema nas comunidades locais”, afirma Balog. 

 As câmeras do projeto Gelo Extremo já registraram recuo de 140 metros de gelo na costa da Islândia entre abril e outubro de 2006. Segundo James Balog a importância dessas massas de neve é que elas são as evidências das mudanças climáticas mais fáceis de serem observadas. “Não é possível ver as fontes de água diminuindo, os animais abandonando seu habitat ou a oferta de comida ficando mais escassa, mas você pode ver facilmente o gelo derretendo. Elas são como um termômetro do que a vida nas cidades está causando a quilômetros desses lugares”. Para Balog, suas imagens funcionam melhor para a conscientizar da população dos riscos do aquecimento global do que os números e modelos de computador geralmente divulgados pelos pesquisadores.

Deixe um comentário