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Técnicas com Cordas

Tomando por empréstimo da escalada, existem técnicas de corda que podemos, eventualmente, usar durante uma caminhada. São elas: a Tiroleza, o Rapel e a Corda Fixa.

A Tiroleza

A Tiroleza é como um teleférico. Uma corda é firmemente ancorada em pontos sólidos de cada lado do obstáculo (rio, greta/fenda, etc). As pessoas e mochilas são presas à corda por roldana (preferencial) ou mosquetões (alternativo) e por ela deslizam, cruzando o obstáculo. A tiroleza é usada para progressões horizontais, não para descer barrancos. Neste caso a técnica usada é o Rappel.

O Rapel

Rapelar é escorregar corda abaixo usando um cinto/cadeira apropriado e equipamento chamado mosquetão e freio.

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 Este é um modelo de freio, chamado ATC.

 

A Corda Fixa

É como um corrimão de corda, normalmente usado nas subidas íngremes e/ou escorregadias. As pessoas se prendem a esta corda com ascensores ou cordeletes usando uma laçada que corre na corda mais grossa, desde que não tracionada (nó de Proussik ou Massard). Em trechos longos, ou especialmente perigosos, a Corda fixa deve ter ancoragens intermediárias ao longo de seu percurso.

Obstáculos Verticais

Se não há alternativa senão escalaminhar aquele barranco, avalie se não é possível levar as mochilas por uma Tiroleza? Escalaminhar o barranco sem o peso da mochila irá te cansar menos.

No caso do barranco a subir ser escorregadio, use a Corda Fixa como corrimão. O primeiro a subir (sem mochila) leva a ponta da corda. Duas pessoas levam a mochila do primeiro. O último a subir, desfaz a ancoragem inferior da Corda Fixa. Caberá a esta pessoa também desfazer as ancoragens intermediárias, se houver.

Obstáculos Horizontais

Pinguelas

Uma pinguela suspeita (estará podre?). Ou é por sobre uma fenda (grota, calha de rio) muito profunda? Por sobre forte correnteza? Estes são bons motivos para se tomar algumas preucações. Porque não montar uma corda fixa como corrimão? O primeiro a atravessar o fará sem mochila e da forma que achar melhor (de gatinhas, arrastando a bunda sobre a pinguela…). Deverá usar um cinto de segurança que estará atado à corda. Na margem alguém lhe dará segurança. Uma vez do outro lado, o precursor deve ancorar bem a corda, para que os demais passem. O mesmo procedimento inicial é feito para a passagem da última pessoa.

Travessia de Rio

Onde atravessar um rio?

– Antes de mais nada, procure por margens baixas tanto do seu lado como do lado oposto.

– Nas curvas, as correntezas, mesmo fracas, tendem a cavar valas no leito, junto à margem externa da curva. Procure por um trecho reto, mesmo que curto.

– Nunca cruze à montante e perto de uma corredeira ou cachoeira, você pode ser levado pelas águas e se arrebentar pedras abaixo. À jusante de uma cachoeira as águas costumam ser mais calmas, mas mais profundas.

– Nunca cruze a montante de uma árvore caída nas águas. Caso a correnteza te leve, você pode ficar preso nos galhos ou raízes e se afogar.

Sobre pedras: se as pedras estão acima da tona, mas escorregadias, uma corda fixa pode resolver.

A nado: se o curso d’água é largo demais para ser saltado, tem profundidade desconhecida e a correnteza é forte o bastante para arrastar uma mochila, prenda uma corda na cintura e deixe alguém na margem lhe dando segurança. Lembre-se que a correnteza irá te levar rio abaixo, assim, certifique-se que a margem oposta seja baixa o bastante para que você consiga sair da água.

Margens altas: se não há margens baixas aplique a técnica do “a nado”. E depois… quem sabe dá para atravessar as mochilas por uma tiroleza? Assim nada se molha… Além de você, claro!

Corrida de Aventura – Orientação

Por mais que se estude orientação, nada substituirá a prática em campo, e principalmente em provas que exijam muita navegação em trekking por locais inexplorados.

Com relação às corridas de aventura realizadas no Brasil, podemos apresentar algumas dicas úteis, que foram fruto do aprendizado em provas:

  • Tenha o cuidado de sempre saber a sua localização. Não adianta dominar todas as técnicas de orientação e não ter este cuidado. Se não se sabe onde está, como saber para onde ir? Isto pode parecer óbvio, mas na verdade torna-se muito complicado principalmente nas provas longas, do tipo expedição, como a EMA, pois exige muita concentração do navegador.E com o passar dos dias, na ausência de sono e stress físico constante, é muito difícil manter a concentração. Por isso o ideal é que numa equipe sempre exista mais de um navegador, para assim revezar esta responsabilidade. Cabe lembrar também que em algumas provas exige-se a divisão da equipe em dois grupos que seguem caminhos diferentes, daí a necessidade de um segundo navegador ser ainda maior.
  • Com a experiência, você vai aprender a interpretar corretamente tudo o que o mapa indica. Por exemplo: alguns cursos de água, dependendo da época do ano, podem estar secos, e se você ignorar isto pode perder muito tempo até descobrir o que aconteceu. Com a prática, também, torna-se mais fácil analisar o terreno e a vegetação e calcular distâncias de trilhas e estradas.
  • O contato com moradores locais é uma fonte preciosa de informações. Às vezes eles conhecem caminhos (atalhos) que não constam dos mapas, e também podem tirar dúvidas, dar direção correta, informar distâncias, etc. Mas deve-se ter o maior cuidado ao obter e usar estas informações. Muitas vezes, nomes de fazendas e sítios que constam do mapa já mudaram ou não existem mais.Procure conversar com calma, sem influenciar a resposta. Já presenciamos casos de competidores impacientes que exigiram respostas rápidas, o que acabou confundindo as pessoas e lavaram-nas a dar informações incorretas.
  • O pior erro a ser cometido é o de andar em um caminho que siga paralelo ao correto. Neste caso, a bússola sempre vai indicar que a direção está certa, o que não significa que o caminho seja o correto. Na EMA-99, várias equipes seguiram por um vale paralelo ao que procuravam, o que levou à perda de preciosas horas.
  • Nunca se esqueça de proteger os mapas. O ideal é plastificar os mapas depois de plotados (isto é possível quando os mapas são entregues com antecedência suficiente). Outra solução é usar o papel contact. Neste caso, deixe uma borda grande o suficiente para evitar a entrada de água no caso de o mapa ficar submerso (isto acontece com freqüência maior do que se imagina).
  • Nos trechos de mountain bike, é bastante útil fazer a medida das distâncias usando um curvímetro (aparelho para medir distâncias em mapas – ver abaixo) e anotá-las de forma bem visível no mapa. Anote as distâncias para as referências mais notáveis, como pontes, bifurcações, entroncamentos, linhas de energia etc.Desta forma, evita-se ter que olhar constantemente para o mapa, o que dificulta a pilotagem. Algumas equipes chegam a converter o mapa num tipo de planilha, como as de rally, onde desenham as referências e respectivas distâncias. Outra dica é adaptar um suporte para os mapas na bike, o que agiliza bastante a leitura. Não é preciso dizer que é fundamental ter um computador de bike, devidamente calibrado, para medir as distâncias percorridas. O ideal é ter até mais de uma bike (ou todas) com este equipamento, pois costuma dar problemas devido ao barro acumulado e trepidações.
  • Em provas onde seja permitido o uso de GPS, recomendo o eTrex da Garmin. Ele é compacto, leve, resistente à água e consome pouca bateria (duas pilhas AA duram cerca de 12 horas). Usamos este GPS no Elf Authentique Aventure sem nenhum problema. Lembre-se de configurá-lo para usar o sistema de coordenadas UTM e o map datum chamado Córrego Alegre, que é o mais adequado para o Brasil. Existe uma versão do eTrex que possui inclusive um altímetro por sensor de pressão.
  • Para fazer as anotações no mapa, plotar os PCs e o caminho a ser percorrido, use canetas de fácil visualização, como os marcadores de texto e canetas hidrográficas. É horrível ficar procurando um ponto no mapa que não esteja bem visível, principalmente à noite.

O Rapel no Gelo

As atividades do mundo vertical têm de uma forma geral, uma característica comum: é frequente ter que se descer rapelando. Contudo o delicado mundo do gelo requer técnicas específicas em cada uma das suas variantes e em especial cuidado na hora de confiar o nosso peso e a nossa segurança na capacidade de resistência das suas estruturas, por vezes frágeis. As atividades que compreendem o mundo do montanhismo são numerosas e variadas : escalada numa zona de escola, escalada esportiva em parede, escalada clássica em parede, escalada em grandes paredes (Big Wall), escalada em cascatas de gelo, dry-tooling, escalada de corredores e canais de gelo e neve, escalada alpina, escalada mista, escalada em arestas, expedições em altitude, esqui de montanha, canyoning, etc. etc. Como se pode verificar tratam-se de atividades com identidade própria, algumas delas partilham das mesmas características e técnicas, no entanto existem outras que diferem como da noite para o dia. Não obstante, atrevo-me a dizer que todas elas apresentam um denominador comum: o rapel. Se bem que a técnica no momento de rapelar não varia muito de uma atividade para outra (salvo em determinadas situações, por exemplo descendo uma cascata de água empregamos manobras de corda um tanto especiais), a instalação do rapel sim, é diferente, depende do terreno de jogo. Não é o mesmo montar um rapel numa reunião com grampos previamente colocados, que num “cogumelo de gelo”  feito no final de uma cascata. Qualquer um necessita de atenção e cuidado, no entanto algumas instalações de rapel precisam de conhecimentos muito particulares.

Que fatores condicionam a montagem das diferentes instalações de rapel?

Vejamos algumas delas resumidamente:

1.         TERRENO EM JOGO – Será diferente o material utilizado na montagem de um rapel em diferentes terrenos de jogo, quer seja em rocha granítica, conglomerado, neve ou gelo. O tipo de rocha e as condições do terreno influenciam e de que maneira o momento de escolher a nossa instalação de rapel. Em rocha dispomos de um amplo leque de possibilidades e quanto ao material a utilizar na instalação depende da morfologia do tipo de rocha. Parabolts, spits, químicos e buris podem figurar na montagem de um rapel em rocha lisa carente de fissuras. Nuts, friends, excentrics, etc. poderão ser empregues se dispusermos de fissuras (fendas, buracos, etc.). Assim como, serão de grande utilidade blocos de rocha, árvores, arbustos e pontes de rocha para utilizar cintas ou cordin. Em gelo utilizaremos parafusos de gelo, pontes de gelo e “cogumelos” de gelo para tal fim. Em neve e sempre dependendo do seu estado, poderemos utilizar estacas e “cogumelos” de neve, piolets e pás de neve ou mesmo os esquis de modo a servir de ancoragem.

2.         MATERIAL DISPONÍVEL – Não há dúvida que consoante o material que tivermos disponível é que iremos executar a nossa reunião de rapel. Se o material a abandonar não é suficiente, deveremos de improvisar outros sistemas de ancoragem ou instalações de rapel. O importante é conhecer o material de que dispomos, assim como o número de possíveis “rapéis” que nos faltam para acabar a via. As ancoragens naturais resultam ser instalações de rapel muito eficazes e a utilização de material é mínima. Em certas ocasiões poderemos combinar ancoragens naturais com ancoragens fixas e com material abandonado, tudo depende das necessidades do momento.

3.   CONHECIMENTOS TÉCNICOS DOS MEMBROS DA CORDADA – Quanto maior a experiência e conhecimentos técnicos dos membros da cordada, maiores serão as opções na hora de montar a reunião de rapel. A experiência será uma mais valia na hora de improvisar a reunião. Por outro lado tais conhecimentos ajudar-nos-ão na hora de economizar material, identificar possíveis fixações e ganhar tempo ao tempo com segurança.

CONCEITOS GERAIS

Como bases gerais durante a montagem do rapel, poderemos considerar as seguintes:

Dispor sempre de uma montagem composta por, pelo menos, dois pontos de segurança (com a excepção se, as fixações forem grandes blocos de rocha, árvores ou robustas colunas de gelo).

Tais fixações têm de ser fiáveis e perfeitamente fixos no terreno. Se houver dúvida em que a fixação aguente ou não, é preferível removê-la a colocá-la.

As fixações deverão estar triânguladas, utilizando para isso uma cinta ou um anel de corda de diâmetro nunca inferior a 7 mm.

NOTA – Hoje em dia os fabricantes oferecem cordins, cintas e cordas de reduzido diâmetro, mas de grande resistência. É importante conhecer previamente a resistência, o estado e a utilização do material.

1.    Em fixações naturais (árvores, pontes de rocha, blocos de rocha, colunas de gelo, pontes de gelo, etc.) ou “cogumelos” de gelo, é preciso observar e corrigir se necessário, possíveis pontos de roçamento, que possam afetar a resistência e segurança da corda e cintas auxiliares.

2.     Deveremos instalar a reunião tendo em conta a recuperação da corda, reduzindo ao mínimo o seu roçamento com a pedra, neve ou vegetação. Assim como evitaremos que a sua recuperação possa originar queda de pedras ou gelo. Se necessário aumentaremos o comprimento da reunião a distância necessária de modo a evitar tais situações.

3.      Utilizaremos o tempo necessário para instalar uma reunião segura e eficaz, é importante acostumarmo-nos a não perder muito tempo na sua montagem, sobretudo se ainda nos faltam muitos metros até chegar ao solo.

Uma vez introduzidos no mundo do rapel, o seguinte passo será analisar as diferentes opções de que dispomos no momento de instalar as fixações correspondentes. Como vimos anteriormente, tal processo dependerá de vários factores. Se bem que existem diferenças entre as fixações de um rapel instalado em vários tipos de rocha, a técnica a utilizar será similar, ao contrário das técnicas a utilizar em neve gelo. As condições de neve e gelo variam e muito, mesmo dentro de uma mesma zona, motivo este que nos obrigará a prestar uma maior atenção no momento de colocar o sistema de reunião mais adequado. Na alínea seguinte analisaremos os sistemas de montagem num destes ambientes tão peculiares: o gelo.

INSTALAÇÃO DO RAPEL EM ROCHA –  Será sempre a melhor opção. É de recordar que de uma forma geral as fixações instaladas em rocha serão mais resistentes que as instaladas em neve ou gelo. Nem sempre será possível, mas se tivermos oportunidade, não exitaremos em fazê-lo. Para isso poderemos abandonar qualquer peça de segurança. É claro que será muito mais doloroso para o bolso abandonar um par de friends, que uma cinta ao redor de um bloco de rocha, dependerá sempre de cada situação. Parabolts, cintas ou cordim em blocos ou em pontes de rocha, são alguns elementos que poderemos habitualmente abandonar na montagem de uma reunião de rapel. Se por acaso as reuniões já estiverem montadas, simplesmente comprovaremos o estado das fixações. Possivelmente e se tivermos sorte não será necessário abandonar material algum. Como regra geral deveremos utilizar sempre dois pontos de fixação, triângulados entre si para uma maior estabilidade e resistência. Se utilizarmos blocos ou pontes de rocha deveremos comprovar se sua resistência é adequada para o efeito.

INSTALAÇÃO DO RAPEL EM ÁRVORES – Em numerosas ocasiões as cascatas de gelo encontram-se rodeadas de árvores, neste caso podemos fazer uso delas e utilizá-las sempre que seja possível, para montar o nosso rapel . Teremos de ter em conta que as linhas de rapel sejam diretas e seguras e ao mesmo tempo que não existam problemas de roçamentos na hora de recuperar a corda. Para isso será importante abandonar uma cinta ou corda a fim de prever uma boa recuperação. Não será demais dizer que antes de utilizar qualquer árvore, será necessário comprovar a sua resistência.

INSTALAÇÃO DO RAPEL EM GELO – Este será sim, o objectivo final deste artigo. Em regra geral, a base de qualquer tipo de instalação estará condicionada por um denominador comum: o gelo, no qual a sua condição e qualidade nos ajudarão a escolher o melhor sistema de segurança.

NOTA – Deveremos de recordar que em gelo a resistência das fixações estará influenciada pela sua qualidade. De nada nos vale instalar um parafuso de gelo homologado para aguentar uma carga de 2000 Kg, se o enroscamos em gelo podre que não aguentaria sequer o nosso peso. De igual forma uma cinta plana pode estar perfeitamente homologada para suportar uma carga de 3000 Kg, mas se a colocarmos em volta de um cogumelo, coluna ou ponte de gelo de má qualidade ou de má formação, possivelmente o rapel vem abaixo com uma carga mínima. É necessário saber avaliar o estado do gelo assim como conhecer o material a empregar.

Por outro lado é muito importante que quando descemos, nunca o façamos de forma brusca, para não sobrecarregar ou debilitar a instalação do rapel. Esta precaução teremos de a ter em conta sempre que realizarmos uma descida de rapel tanto em gelo como em rocha. O conjunto formado pela instalação do rapel, a corda, o mecanismo de descida empregue e o escalador estão profundamente ligados entre si e de todos eles depende a segurança da descida, assim como a resistência das fixações. Daí a necessidade de insistir em que a descida deve ser controlada, suave, homogênea e segura.

As fixações de rapel em gelo mais comuns são os seguintes:

  1.  Cogumelos de gelo (Ferradura)
  2.  Colunas de gelo
  3.  Pontes de gelo ou abalakov
  4.  Parafusos de gelo
  5.  Parafusos recuperáveis 

FerraduraCOGUMELOS DE GELO (FERRADURA) – Os cogumelos de gelo resultam ser uma fixação sólida e resistente na hora de rapelar. O único inconveniente é o tempo que se perde na sua execução. No entanto, com prática poderemos realizá-lo rápido e bem. As passos a seguir são os seguintes: Iremos escolher uma zona de preferência um pouco inclinada, perto da borda da falésia de modo a evitar problemas na hora de recuperar a corda, no entanto se as condições do gelo não são favoráveis poderemos executá-lo noutro local. Uma vez escolhida a zona de execução e ajudados por um piolet, iremos marcar o local onde iremos construir o cogumelo de gelo. Realizaremos um sulco de configuração ovalada de uns 40 cm de comprimento e outros tantos de largura (mais ou menos) e uns 15 cm de profundidade. A parte superior do cogumelo de gelo coincidirá com a parte mais largo da oval. Esta terá e ser resistente, pois é onde a corda irá exercer maior pressão. A parte inferior não terá de ter necessariamente a mesma profundidade, simplesmente terá de manter estável e numa posição segura a cinta ou corda a utilizar. A parte superior tentaremos escavá-la de baixo para cima para evitar quebrar o lábio de gelo do cogumelo, de modo a que a cinta ou corda colocada, permaneça firme e estável. Uma vez finalizada colocaremos a cinta da reunião dentro do sulco realizado, podendo assim rapelar sem problemas. Em certas ocasiões poderemos colocar a corda diretamente dentro do sulco, no entanto deveremos comprovar que esta se pode recuperar sem problemas, antes de começar a descer. Se o gelo é de boa qualidade, construiremos o cogumelo seguindo as dimensões standard vistas anteriormente, se por contrário o gelo é de má qualidade, deveremos utilizar dimensões superiores a fim de ganhar suporte e resistência. Não podemos esquecer que os gelos duros serão mais difíceis de picar, com a conseguinte perca de energia e tempo.  

Coluna de geloCOLUNAS DE GELO – As colunas de gelo podem ser uma rápida opção, no momento de escolher o rapel. Nunca esquecer a importância de comprovar a resistência e estabilidade da colunas antes de nos pendurarmos nela. Como regra colocaremos sempre a cinta ou cordim na base da coluna e nunca a metade dela. Também poderá ser possível passar a corda diretamente em volta da coluna , se bem que a opção da cinta funciona um pouco melhor.

AbalakovPONTES DE GELO (ABALAKOV) – Estes engenhosos sistemas de rapel resultam ser uma boa opção  na hora de rapelar. Se as condições de gelo forem ótimas, as pontes de gelo são bastantes recomendadas para rapelar, a sua resistência é enorme e o tempo utilizado na sua realização é bastante aceitável. O material necessário para a sua realização é o seguinte: Um par de parafusos de gelo grossos, um cordim de diâmetro não inferior a 7 ou 8 mm e um arame ou gancho saca nuts. O processo de execução é o seguinte: Primeiro fazemos um buraco no gelo, ajudados por um parafuso de gelo, mantendo um ângulo de +- 60 graus, em relação à superfície de gelo. A seguir introduziremos outro parafuso de gelo, seguindo o mesmo processo, mas agora de ângulo inverso, até o ligar-mos ao outro. O ângulo ideal que devem formar os dois parafusos de gelo é de 90 graus. Este processo poderá ser realizado com a utilização de apenas um parafuso. Uma vez retirados os parafusos de gelo e comprovado de os buracos se ligaram, introduziremos o cordim (este deve ser de um diâmetro de 7 ou 8 mm, visto que diâmetros maiores podem dificultar a sua introdução nos buracos), ajudados pelo arame ou pelo gancho saca nut. A partir de agora só nos falta dar o nó no cordim e passar a corda nele.   

Parafusos de geloPARAFUSOS DE GELO – Muitas vezes teremos de montar a nossa reunião em dois parafusos de gelo. Pode ser por falta de qualidade do gelo, por uma grande carga a submeter à reunião ou por falta de tempo para a execução de uma ponte de gelo. Esta opção poderá ficar um pouco cara para o nosso bolso, mas se a nossa vida depende disso não hesitaremos em fazê-la.  Colocaremos um par de parafusos de gelo separados entre si por uma distância mínima de 80 cm e colocados preferentemente em ângulo, evitando uma possível linha horizontal.

Uniremos ambos por uma cinta ou cordim fiáveis (normalmente cintas planas de 3 cm e cordas de 8 ou 9 mm, tudo depende do fabricante). Esta cinta ou cordim, podemos passá-la diretamente pelos olhais dos parafusos de gelo, sem necessidade de abandonar mosquetões. Tudo dependerá da qualidade do parafuso. Seguidamente teremos apenas de triângular o sistema a fim de exercer uma boa e distribuição de forças sobre as fixações instaladas.

PARAFUSO DE GELO RECUPERÁVEL – Rapelar de um só ponto de segurança é algo que contraria tudo o que foi dito anteriormente. Utilizar dois pontos de segurança ( nuts, parafusos de gelo, parabolts, entaladores, etc. ), há-de ser sempre a forma mais correta de montar uma reunião. No entanto, em determinadas  situações poderemos romper a regra e utilizar apenas um parafuso de gelo. Pode-se dar a situação de dispormos apenas de um parafuso de gelo. E o que fazer diante de uma situação destas ??… Pois bem existe a possibilidade de rapelar num só parafuso de gelo e recuperá-lo uma vez alcançada a reunião inferior. Mas… como fazê-lo ??… Vamos ver então detalhadamente os passos a seguir : Primeiramente enroscamos um parafuso de gelo grosso, tiramo-lo, extraímos o gelo do seu interior e voltaremos a enroscá-lo. O parafuso deverá ser colocado ligeiramente ângulado em relação à superfície e sem estar enroscado até ao fim. Em seguida passamos a corda de rapelar por cima do parafuso ( outra opção é passá-la através de uma cinta ou cordim estrangulada/o no parafuso, por ex: com nó de alondra ). O seguinte passo consiste em enrolar uma cinta plana num parafuso de gelo, seguindo o sentido oposto ao utilizado durante o enroscar do mesmo. Esta cinta deverá estar perfeitamente enrolada  e atada. Num extremo atada ao olhal do parafuso e no outro num nó realizado na corda. Uma vez finalizado o rapel, deveremos simplesmente recuperar a ponta corda no qual se atou a cinta plana e à medida que a vamos recuperando e cinta desenrola-se, obrigando o parafuso a desenroscar-se também. No final do processo o parafuso cairá com o resto da corda. Teremos de ter em atenção que a cinta utilizada tem comprimento suficiente para desenroscar o parafuso até ao fim

CUIDADO :  Se é certo que tal sistema de rapel em algum momento nos pode tirar de uma situação complicada, também é certo que à mínima falha, nos pode levar à desgraça. Conhecer o estado e resistência do gelo assim  como a técnica a utilizar na hora de montar o sistema, têm aqui um papel importantíssimo. É necessário que o pratiquemos habitualmente, a fim de nos familiarizarmos com todo o funcionamento. Por outro lado teremos de prestar toda a atenção durante a descida, nunca a realizaremos dando saltos ou de maneira brusca, não nos esqueçamos que estamos pendurados num só parafuso de gelo. Nas mãos do escalador está condicionado o bom uso deste curioso sistema de rapel, reservado para situações de emergência.

 CONCLUSÕES : As opções estão servidas, agora só nos falta praticar muito para não termos dúvidas na hora de utilizar tais sistemas, para que possamos rapelar em segurança. Que opção escolher? Pois bem, tudo dependerá da situação do momento e das condicionantes que vimos no princípio deste artigo ( material, terreno, experiência, etc. ). Apesar de tudo uma coisa é certa: avaliar a qualidade do gelo, não é uma coisa que se aprenda da noite para o dia. Requer tempo e muita prática. Será necessário que escalemos em todo o tipo de gelo e condições para que possamos avaliar cada situação de uma forma rápida, objectiva e segura. O gelo pode mudar muito, dependendo das temperaturas, inclusivamente durante a mesma escalada. A chuva, a neblina, o sol e o vento, influenciam na sua qualidade. Em caso de qualquer dúvida não hesitaremos em mudar todo o sistema de rapel para um mais seguro ou reforçar o atual. Por outro lado é bom realçar que não existe lugar para nos sentirmos ridículos na hora de abandonar material. Se a situação o requer, teremos de pensar com a cabeça e não com o bolso.

Precaução é a palavra a utilizar.

Boa sorte e boas escaladas.

Descobrindo a Via Leste do Dedo de Deus

Quando cheguei nesse ponto, os dois me disseram que a próxima escalada eu guiaria, pois era o meu estilo! Aceitei prontamente, mas desconfiando que estilo seria esse… Dois grampos e uma curva depois, descobri que só poderia ser o estilo de se fuder, porque eu estava numa rampa de aderência bem inclinada com somente um entalamento de mão à esquerda e uma pedra formando uma espécie de canaleta onde eu empurrava minhas costas contra para não escorregar. Abaixo de mim somente o vazio. A mochila atrapalhava muito com as botas volumosas dentro e, em alguns pontos, não era possível entalar a mão esquerda. Começou a passar pela minha cabeça desistir, senti escorregar um pouco, blasfemei pela lama do diedro inicial na minha sapatilha, o grampo que era longe, tentei tirar um friend, me preparei para uma queda linda de uns dez metros, pêndulos, ficar pendurado no vazio… Continue lendo Descobrindo a Via Leste do Dedo de Deus

Corrida de Aventura – Coordenadas e Altímetros

Nas corridas de aventura, os PCs são localizados no mapa através de suas coordenadas geográficas. Estas coordenadas podem ser fornecidas em vários formatos, mas o mais comumente utilizado é o UTM (Universal Tranversa de Mercator).

Este sistema baseia-se numa distância em metros a partir de uma referência (ex. o Equador e o Meridiano principal). Com ele, torna-se muito fácil plotar os PCs, pois com base na escala do mapa e nas coordenadas fornecidas, calcula-se a medida em milímetros a partir de uma das linhas de referência da quadrícula. Todos os mapas do IBGE, usados nas corridas de aventura no Brasil, usam coordenadas UTM.

Altímetros

Combinado com a bússola, o altímetro é um instrumento importante na navegação. Combinando as leituras dos dois instrumentos, é possível determinar com boa precisão a sua localização em determinados casos. Se está seguindo uma trilha íngreme, por exemplo, a leitura do altímetro (sua altitude em metros) indicará o ponto onde a curva de nível correspondente no mapa faz intersecção com a trilha.

Quanto maiores os desníveis do percurso de uma corrida de aventura, maior é a utilidade do altímetro. Em algumas provas, ele faz parte até da lista de equipamentos obrigatórios. Os melhores modelos que já tivemos a oportunidade de usar são os da Casio (triple Sensor) e da Suunto (Vector).