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Técnicas com Cordas

Tomando por empréstimo da escalada, existem técnicas de corda que podemos, eventualmente, usar durante uma caminhada. São elas: a Tiroleza, o Rapel e a Corda Fixa.

A Tiroleza

A Tiroleza é como um teleférico. Uma corda é firmemente ancorada em pontos sólidos de cada lado do obstáculo (rio, greta/fenda, etc). As pessoas e mochilas são presas à corda por roldana (preferencial) ou mosquetões (alternativo) e por ela deslizam, cruzando o obstáculo. A tiroleza é usada para progressões horizontais, não para descer barrancos. Neste caso a técnica usada é o Rappel.

O Rapel

Rapelar é escorregar corda abaixo usando um cinto/cadeira apropriado e equipamento chamado mosquetão e freio.

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 Este é um modelo de freio, chamado ATC.

 

A Corda Fixa

É como um corrimão de corda, normalmente usado nas subidas íngremes e/ou escorregadias. As pessoas se prendem a esta corda com ascensores ou cordeletes usando uma laçada que corre na corda mais grossa, desde que não tracionada (nó de Proussik ou Massard). Em trechos longos, ou especialmente perigosos, a Corda fixa deve ter ancoragens intermediárias ao longo de seu percurso.

Obstáculos Verticais

Se não há alternativa senão escalaminhar aquele barranco, avalie se não é possível levar as mochilas por uma Tiroleza? Escalaminhar o barranco sem o peso da mochila irá te cansar menos.

No caso do barranco a subir ser escorregadio, use a Corda Fixa como corrimão. O primeiro a subir (sem mochila) leva a ponta da corda. Duas pessoas levam a mochila do primeiro. O último a subir, desfaz a ancoragem inferior da Corda Fixa. Caberá a esta pessoa também desfazer as ancoragens intermediárias, se houver.

Obstáculos Horizontais

Pinguelas

Uma pinguela suspeita (estará podre?). Ou é por sobre uma fenda (grota, calha de rio) muito profunda? Por sobre forte correnteza? Estes são bons motivos para se tomar algumas preucações. Porque não montar uma corda fixa como corrimão? O primeiro a atravessar o fará sem mochila e da forma que achar melhor (de gatinhas, arrastando a bunda sobre a pinguela…). Deverá usar um cinto de segurança que estará atado à corda. Na margem alguém lhe dará segurança. Uma vez do outro lado, o precursor deve ancorar bem a corda, para que os demais passem. O mesmo procedimento inicial é feito para a passagem da última pessoa.

Travessia de Rio

Onde atravessar um rio?

– Antes de mais nada, procure por margens baixas tanto do seu lado como do lado oposto.

– Nas curvas, as correntezas, mesmo fracas, tendem a cavar valas no leito, junto à margem externa da curva. Procure por um trecho reto, mesmo que curto.

– Nunca cruze à montante e perto de uma corredeira ou cachoeira, você pode ser levado pelas águas e se arrebentar pedras abaixo. À jusante de uma cachoeira as águas costumam ser mais calmas, mas mais profundas.

– Nunca cruze a montante de uma árvore caída nas águas. Caso a correnteza te leve, você pode ficar preso nos galhos ou raízes e se afogar.

Sobre pedras: se as pedras estão acima da tona, mas escorregadias, uma corda fixa pode resolver.

A nado: se o curso d’água é largo demais para ser saltado, tem profundidade desconhecida e a correnteza é forte o bastante para arrastar uma mochila, prenda uma corda na cintura e deixe alguém na margem lhe dando segurança. Lembre-se que a correnteza irá te levar rio abaixo, assim, certifique-se que a margem oposta seja baixa o bastante para que você consiga sair da água.

Margens altas: se não há margens baixas aplique a técnica do “a nado”. E depois… quem sabe dá para atravessar as mochilas por uma tiroleza? Assim nada se molha… Além de você, claro!

Corrida de Aventura – Orientação

Por mais que se estude orientação, nada substituirá a prática em campo, e principalmente em provas que exijam muita navegação em trekking por locais inexplorados.

Com relação às corridas de aventura realizadas no Brasil, podemos apresentar algumas dicas úteis, que foram fruto do aprendizado em provas:

  • Tenha o cuidado de sempre saber a sua localização. Não adianta dominar todas as técnicas de orientação e não ter este cuidado. Se não se sabe onde está, como saber para onde ir? Isto pode parecer óbvio, mas na verdade torna-se muito complicado principalmente nas provas longas, do tipo expedição, como a EMA, pois exige muita concentração do navegador.E com o passar dos dias, na ausência de sono e stress físico constante, é muito difícil manter a concentração. Por isso o ideal é que numa equipe sempre exista mais de um navegador, para assim revezar esta responsabilidade. Cabe lembrar também que em algumas provas exige-se a divisão da equipe em dois grupos que seguem caminhos diferentes, daí a necessidade de um segundo navegador ser ainda maior.
  • Com a experiência, você vai aprender a interpretar corretamente tudo o que o mapa indica. Por exemplo: alguns cursos de água, dependendo da época do ano, podem estar secos, e se você ignorar isto pode perder muito tempo até descobrir o que aconteceu. Com a prática, também, torna-se mais fácil analisar o terreno e a vegetação e calcular distâncias de trilhas e estradas.
  • O contato com moradores locais é uma fonte preciosa de informações. Às vezes eles conhecem caminhos (atalhos) que não constam dos mapas, e também podem tirar dúvidas, dar direção correta, informar distâncias, etc. Mas deve-se ter o maior cuidado ao obter e usar estas informações. Muitas vezes, nomes de fazendas e sítios que constam do mapa já mudaram ou não existem mais.Procure conversar com calma, sem influenciar a resposta. Já presenciamos casos de competidores impacientes que exigiram respostas rápidas, o que acabou confundindo as pessoas e lavaram-nas a dar informações incorretas.
  • O pior erro a ser cometido é o de andar em um caminho que siga paralelo ao correto. Neste caso, a bússola sempre vai indicar que a direção está certa, o que não significa que o caminho seja o correto. Na EMA-99, várias equipes seguiram por um vale paralelo ao que procuravam, o que levou à perda de preciosas horas.
  • Nunca se esqueça de proteger os mapas. O ideal é plastificar os mapas depois de plotados (isto é possível quando os mapas são entregues com antecedência suficiente). Outra solução é usar o papel contact. Neste caso, deixe uma borda grande o suficiente para evitar a entrada de água no caso de o mapa ficar submerso (isto acontece com freqüência maior do que se imagina).
  • Nos trechos de mountain bike, é bastante útil fazer a medida das distâncias usando um curvímetro (aparelho para medir distâncias em mapas – ver abaixo) e anotá-las de forma bem visível no mapa. Anote as distâncias para as referências mais notáveis, como pontes, bifurcações, entroncamentos, linhas de energia etc.Desta forma, evita-se ter que olhar constantemente para o mapa, o que dificulta a pilotagem. Algumas equipes chegam a converter o mapa num tipo de planilha, como as de rally, onde desenham as referências e respectivas distâncias. Outra dica é adaptar um suporte para os mapas na bike, o que agiliza bastante a leitura. Não é preciso dizer que é fundamental ter um computador de bike, devidamente calibrado, para medir as distâncias percorridas. O ideal é ter até mais de uma bike (ou todas) com este equipamento, pois costuma dar problemas devido ao barro acumulado e trepidações.
  • Em provas onde seja permitido o uso de GPS, recomendo o eTrex da Garmin. Ele é compacto, leve, resistente à água e consome pouca bateria (duas pilhas AA duram cerca de 12 horas). Usamos este GPS no Elf Authentique Aventure sem nenhum problema. Lembre-se de configurá-lo para usar o sistema de coordenadas UTM e o map datum chamado Córrego Alegre, que é o mais adequado para o Brasil. Existe uma versão do eTrex que possui inclusive um altímetro por sensor de pressão.
  • Para fazer as anotações no mapa, plotar os PCs e o caminho a ser percorrido, use canetas de fácil visualização, como os marcadores de texto e canetas hidrográficas. É horrível ficar procurando um ponto no mapa que não esteja bem visível, principalmente à noite.

Corrida de Aventura – Coordenadas e Altímetros

Nas corridas de aventura, os PCs são localizados no mapa através de suas coordenadas geográficas. Estas coordenadas podem ser fornecidas em vários formatos, mas o mais comumente utilizado é o UTM (Universal Tranversa de Mercator).

Este sistema baseia-se numa distância em metros a partir de uma referência (ex. o Equador e o Meridiano principal). Com ele, torna-se muito fácil plotar os PCs, pois com base na escala do mapa e nas coordenadas fornecidas, calcula-se a medida em milímetros a partir de uma das linhas de referência da quadrícula. Todos os mapas do IBGE, usados nas corridas de aventura no Brasil, usam coordenadas UTM.

Altímetros

Combinado com a bússola, o altímetro é um instrumento importante na navegação. Combinando as leituras dos dois instrumentos, é possível determinar com boa precisão a sua localização em determinados casos. Se está seguindo uma trilha íngreme, por exemplo, a leitura do altímetro (sua altitude em metros) indicará o ponto onde a curva de nível correspondente no mapa faz intersecção com a trilha.

Quanto maiores os desníveis do percurso de uma corrida de aventura, maior é a utilidade do altímetro. Em algumas provas, ele faz parte até da lista de equipamentos obrigatórios. Os melhores modelos que já tivemos a oportunidade de usar são os da Casio (triple Sensor) e da Suunto (Vector).